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  • Post por // agosto 6, 2014

    Ele é um fotógrafo brasileiro reconhecido internacionalmente e há 35 anos cobre o universo da motovelocidade. Também salvou um piloto da morte em um ato heróico. Conheça a trajetória deste grande profissional. Na foto acima, ele recebendo o prêmio Fair Play, da FIA.

    No universo das duas rodas não são só os pilotos que brilham nas pistas. Há muito trabalho pelos bastidores, feito por

    Foto: Sérgio Sanderson | Arquivo Pessoal

    Foto: Sérgio Sanderson | Arquivo Pessoal


    profissionais que cuidam de todos os detalhes para que a organização de uma corrida seja bem sucedida. E há os que têm um olhar diferente para registrar cada curva e ultrapassagem e fazer os melhores momentos chegarem até os seus olhos. Em especial, um grande fotógrafo que há mais de 35 anos já registrou momentos marcantes da Fórmula 1, Fórmula Indy no Brasil, Stock Car, Fórmula Ford, Moto 1000 GP e já recebeu mais de 100 prêmios pelo seu trabalho também em outros temas como homem do campo, retratos dos boias-frias, desmatamento, agricultura, entre outros: Sérgio Sanderson.
    Nascido em Francisco Beltrão, mas criado em Cascavel, no Paraná, seu ponto de partida, trabalhou como mecânico do 7 aos 12 anos de idade, ajudando seus avós em marcenaria. “Adoro mexer com madeira e mecânica, está o sangue do meu sistema familiar”, relembra. Ele chegou a cursar Economia em Administração, na Universidade Estadual de Cascavel, mas a fotografia falou mais alto.
    No ano passado, ele saiu de trás das câmeras e ganhou destaque na mídia por sua atitude heróica ao entrar na pista durante a etapa de Santa Cruz do Sul do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade para salvar o piloto Alex Pires. Alex havia sofrido uma queda e sua moto incendiou-se. Sanderson largou seu equipamento fotográfico e contrariando as regras deste tipo de competições, entrou na pista e socorreu o piloto, afastando-o do local onde a moto pegava fogo.
    Confira a entrevista na íntegra com este fotógrafo de 57 anos que também tem em sua genética o amor pela fotografia.
    Moto Mania Brasil: Quando você decidiu se tonar fotógrafo e por quê?
    Sérgio Sanderson:Sempre amei fotografia, achava muito mágico e minha curiosidade começou já ao 10 anos. Comprava os filmes 120 mm, pegava a câmera do meu avó Fermino e já bolava algumas fotos. Mas, meu interesse nunca foi ser fotógrafo, queria fotografia como hobby. Quanto tinha 14 anos fui trabalhar em um jornal, Fronteira do Iguaçu, por três anos e um ano em um laboratório P&B. Com 18 anos fui servir o exército brasileiro. Foi aí que tudo começou: no exército era fotógrafo de perícia e aprendi muito a técnica. Quando dei baixa do exército, voltei para trabalhar no Banco Bandeirantes. Quando estava em Cascavel, houve a inauguração do Jornal O Paraná, o qual me chamou para trabalhar e comecei minha carreira em jornal. A partir dali fui fisgado pela fotografia e ela enraizou no sangue, foi um grande glória em minha vida.
    MMB: Onde já trabalhou e quais foram as coberturas mais importantes que você já fez?
    Sanderson: Quando falamos de importância as variáveis são complexas. Um dos trabalhos que gostei, foi quando fiz uma cobertura fotográfica das cavernas rupestres no Brasil, na região da Bahia; e a primeira vez que fiz cobertura da F1 Kalayame, na África do Sul; meus primeiros trabalhos de cinema com o Primo Carbonari, que produzia o Canal 100, antes dos longas no cinema Nacional.
    MMB: Por que escolheu o automobilismo para atuar e como é ser um fotógrafo nesta área? É um trabalho intenso?
    Sanderson:Todos me tem como fotógrafo de esporte a motor, mas é o seguimento que menos trabalhei. Hoje só faço a Moto1000GP. Fiz StockCar, F Ford, F 3 Sulamerica, SideCar, F Indy, Kart, F Truck, F-1, F 3000, é várias outras categorias do automobilismo. Porque fazia automobilismo? Porque os eventos eram nos finais de semana e durante a semana, fazia produções de fotos para empresas e eventos sociais. Sempre amei automobilismo e motovelocidade, mas moto é muito mais emocionante.
    MMB: Qual o segredo para se fazer boas fotos neste segmento? O equipamento, o olhar, o conjunto?
    Sanderson:Fotografia é um aglomerado de fatores. Bom olhar, harmonia no que se vê, composição, usar o equipamento certo, conhecer a técnica da fotografia e o tema pelo qual está olhando e colocar tudo em prática no hora do clique.
    Foto: Gurini, na F3, em 1986 | Sérgio Sanderson

    Foto: Gurini, na F3, em 1986 | Sérgio Sanderson


    MMB: Qual é a foto mais marcante que você fez em uma corrida? Pode descrever o momento?
    Sanderson:A foto do Nestor Gurini, Argentino na F3 Sulamerica em 1986  na curva do S em Cascavel.  Porquê? Bati a foto e não vi o fogo na hora, somente na revelação do negativo, uma explosão que durou menos de um segundo. Mas tenho mais de 100 prêmios de fotografia, em ensaios fotográficos em variados temas.
    MMB: Sobre o seu ato heróico para salvar o Alex Pires, o que passou na sua cabeça naquele momento?
    Foto: Moto Esporte |http://www.motoesporte.com.br/trofeu-fim-fair-play-brasileiro-vencedor/

    Sanderson durante acidente com piloto Alex Pires | Foto: Moto Esporte |http://www.motoesporte.com.br/trofeu-fim-fair-play-brasileiro-vencedor/


    Sanderson: Sabia que não podia mexer no piloto, mas era fogo, como diz os nosso pais, com fogo não se brinca. Tomei a iniciativa, quando em poucos segundo começou a doer a alma, olhei ao redor, todos olhando, me vi no lugar do Alex e ficaria muito grato se alguém ajuda-se, assim o fiz, independentemente do ponto de vista daquele que me julgara. Naquele momento, tive a convicção que estava 100% correto… muitas vezes erramos, mas tenho certeza que fiz o meu papel de altruísmo e benevolência, quando larguei a câmera e puxei o Alex, todos que estavam olhando, também vieram ajudar.
    MMB: Você recebeu mais de 100 prêmios ao longo da carreira. Como foi vivenciar esses momentos? Há algum que tenha maior significado para você?
    Sanderson: Todo prêmio é único, mas o prêmio que julgo muito importante, no início de minhas atividades como fotógrafo, foi o da NIKON Kogaku, no Japão, no anos 80, e como honraria este prêmio Fair Play da FIM, o primeiro fotógrafo a receber este prêmio da FIM no mundo.
    MMB: Qual é o balanço que você faz da sua carreira e o que espera para o futuro?
    Sanderson: Somos seres transitórios, dei sempre o melhor de mim, mas muitas vezes não era o que a pessoas queriam, fiz a minha parte e sei que somos eternos aprendizes no que fazemos. Amo o que faço. Quando quero descansar, pego a câmera e vou fazer algumas  fotos. Hoje estou fotografando para a Moto1000GP, maior categoria de moto da América do Sul e fazendo curtas para TV e dirigindo fotografia em alguns longas.  Tenho muito por fazer na área de cinema, com os meus filhos e com a sociedade.
    Por Amanda Gelumbauskas
    Colaboração para o MMB
     

     

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