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  • Post por // novembro 1, 2012

    Ele já cruzou o Ushuaia ao extremo do Alaska. Motociclista experiente, é autor do livro Viajar de Moto para El Fin Del Mundo”  e fora das pistas, é coronel da reserva da FAB. Conheça sua trajetória.

    Foto: Arquivo Pessoal


    Coronel da reserva da Força Aérea Brasileira, ele se acha um “cara” de muita sorte que, por linhagem, nasceu com o espírito de motociclista – insatisfeito e sedento de liberdade como seu pai; além de ter conquistado uma linda mulher, a Cláudia, sua esposa, que lhe deu prumo, família e filhos maravilhosos. Falamos de Artur Albuquerque, um piloto experiente que já cruzou muitas estradas mundo a fora e com muitas histórias para contar. Algumas delas ele resumiu no livro Viajar de Moto para El Fin Del Mundo”.
    Albuquerque passou sua infância em um colégio interno – quando se sentia um prisioneiro e se refugiava nos sonhos – e a juventude, no quartel, quando percebeu que sonhos podem se tornar realidade. Por isso, hoje, ele afirma sentir com muito mais intensidade os momentos de liberdade (poder fazer o que se quer) na estrada, onde aprendeu na prática, que ser livre demanda uma boa autonomia (capacidade de seguir sozinho) e a consequente responsabilidade (capacidade de assumir riscos) pelo prazer da escolha dos próprios caminhos.
    Sua moto favorita? Uma Harley. “A Electra que eu tenho nunca me deixou na mão e é capaz de me levar e trazer de qualquer lugar, inclusive de Ushuaia ou do Extremo Alaska.” Já a paixão por motos vem desde menino. “Lembro-me de um episódio na minha infância, quando me deram uma carona em uma velha Harley: minha alegria era tanta que o meu maxilar doia de tanto eu rir de felicidade. Pilotar bem uma boa moto em uma bela estrada, não é um prazer físico, pois pertence à memória espiritual. É como se voltássemos a ter asas – ou poder voar. O que não tem nada a ver com excesso de velocidade”, conta.
    Estradas por aí
    “Como um sonho”. É assim que Albuquerque costuma preparar suas viagens, e completa: “geralmente, as minhas viagens, como de Ushuaia e ao Alaska, assim como os grandes sonhos, estão no limiar da impossibilidade – para mim, é claro. A luta para superar as dificuldades é tamanha, que quase não acredito quando elas começam a se concretizar. Mas, graças a Deus, à minha família e aos meus amigos – mesmo com os mínimos recursos – elas acontecem.”
    Para ele, mensurar a viagem mais inesquecível é tarefa difícil. “Todas as grandes viagens são inesquecíveis, como os grandes amores. Principalmente a última, porque todas possibilitam acessar lugares de rara beleza, fazer ou fortalecer amizades, curtir momentos de contemplação e introspecção, possibilitando grande aprendizado”. E rebate: “Ainda há muito para rodar. Quero conhecer todos os lugares que eu ainda não fui; principalmente, na América do Sul, com sua gente sofrida e paisagens belíssimas”.
    Todo bom motociclista sabe que não é só belas paisagens que podem estar no trajeto. As dificuldades também aparecem no meio do caminho. Artur revela alguns de seus piores momentos. “Nem os animais selvagens, nem as tempestades, os vendavais, as armadilhas das estradas, os despenhadeiros, as grandes altitudes, os desertos… o que mais oprime o meu espírito é a violência da covardia dos homens. Pois ninguém é covarde com o mais forte ou com o mais bem preparado. Viajando solitário, em certos lugares, percebi que eu era visto como presa ou caça. O azar deles é que não sou covarde e nem piloto de motocicleta; eu incorporo minha Harley. Então, principalmente nas estradas com muitas curvas, ficava difícil me alcançarem.”
    El Toro Miura

    Foto: Arquivo Pessoal


    Até corrupção este piloto carioca enfrentou. “Os piores foram os caminhos de servidores públicos desonestos. Por exemplo, na alfândega da Guatemala, me deixaram de molho por mais de 10 horas. E somente fui liberado porque paguei parte da propina exigida e me deram prazo de 24 horas para deixar o País, sob pena de multa pesada e arresto da moto. A noite chegou junto com a chuva, e tive que pilotar a Electra em estradas esburacadas que cortavam a floresta, entre caminhões e caminhonetes 4×4, que trafegavam com seus faróis de ferir os olhos, em alta velocidade. Na estrada, sem placas indicativas de cidades e sem sinal de GPS, rodei perdido até a madrugada. Ali, foi um dos grandes testes da minha Harley, que corcoveou como um touro bravo ao impactar grandes crateras. Mas, não empenou as rodas, não danificou a suspensão e nem me fez comprar terreno Então, em reconhecimento aos serviços prestados, lhe concedi o título de ”El Toro Miura”, pela força, robustez e valentia, frente aos riscos imponderáveis.” Corajoso nosso aventureiro!
    Além das experiências, também ficam as lições – de vida. “Próximo às fronteiras, nada na terra de ninguém, onde não se tem a quem reclamar autoridade ou pedir socorro, descobri que as minhas vitórias, minha vaidade ou orgulho não valem nada. Frente ao poderio e grandiosidade da natureza inóspita ou em meio às ameaças dos homenzinhos maus, percebi como sou extremamente pequeno e frágil. Mas, nos momentos mais críticos pressentia uma serena companhia que me dava tranquilidade, aumentando minha fé em meu Deus. Sentindo-me um estranho em um mundo distante, percebi o quanto me era caro o convívio da minha família e como fazia falto o abraço dos meus amigos”, afirma.
    Ushuaia – Viajar de Moto para El Fin Del Mundo
    A experiência de Artur ao viajar de moto ao Ushuaia na companhia de amigos foi tão maravilhosa, que ele considerou egoísmo guardá-la somente para ele. Como uma forma de inspirar outros motociclistas a fazerem essa fantástica viagem, quando retornou de viagem, passou a escrever o livro Ushuaia – Viajar de Moto para El Fin Del Mundo, o qual levou dois anos para finalizar porque ele precisava amadurecer as ideias e as emoções que viveu para melhor expressá-las.
    Segundo Albuquerque, “o livro é um convite a liberdade de buscar a estrada, que arrebata com a paixão de pilotar uma poderosa motocicleta para além dos prédios, montanhas ou fronteiras, rumando cada dia para um novo horizonte. Para um motociclista, subir na moto e ganhar a estrada é como se lhe incorporassem asas. Sentir o vento, o sol ou a chuva impactar no próprio corpo, pairando rente e suavemente sobre o asfalto da estrada – deve ser semelhante a sensação do voo pelas aves. É uma experiência fantástica, semelhante a que experimentam os pilotos de pequeninos aeroplanos, que gostam de voar com a capota aberta.”, explica.
    Aos motonautas, nosso aventureiro manda a seguinte mensagem: “Não deixe para depois, pois o momento é agora. Mesmo que o agora demore um pouco, trabalhe com afinco, tijolo por tijolo, na construção de seu sonho. Não espere o momento ideal, porque o ideal ou perfeito não existe nesse mundo. Quando as exigências forem atendidas mais ou menos; parta, mesmo correndo riscos”, finaliza.
    Quem quiser mergulhar nas aventuras de Artur, seu livro pode ser encontrado na Concessionária Rio Harley-Davidson ou pelo e-mail (artur_albuquerque@hotmail.com). Para quem já leu e está com gostinho de “quero mais”, em breve, o piloto planeja lançar mais uma obra: “Extremo Alaska – A Fronteira da Solidão”, sobre a sua última viagem. É só esperar para conferir!
    Bate e Volta
    A rota ideal: A da beleza, na companhia do amor e dos amigos.
    A máquina dos sonhos: Aquela que você domina bem.
    Uma moto inesquecível: A de uma grande viagem.
    Uma garupa: Minha mulher, a Claudia.
    Uma curva: Um prazer inenarrável.
    A velocidade certa: Aquela em que você se sente bem.
    Artur, quando pilota uma moto: Me sinto pleno e bem mais próximo de Deus e da liberdade.
    Sua mensagem aos fãs e aos motonautas: Longa vida, bons amigos e belas estradas.
    Por Amanda Gelumbauskas – Colaboração para o MMB

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