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  • Post por // junho 4, 2012

    “Histórias de nobres cavaleiros” é informativo, tem dados e embasamento, além das histórias. Foi feito como uma homenagem aos motociclistas, mas agrada qualquer público.  O livro distingue os conceitos de “motociclista” e “motoqueiro”, contribuindo para a superação do preconceito e dos estereótipos negativos e esclarece como se dá a organização dos motociclistas a partir da formação dos motoclubes, entre muitos outros assuntos. 

    A autora Maria Fernanda Gottardi de sua casa em Camboriú (SC), concedeu ao MotoManiaBrasil a seguinte entrevista :

    MMB – A obra escrita por você é um livro-reportagem em forma de perfil, narra as experiências e aventuras de apaixonados pelo motociclismo. Você viveu parte dessas experiências para poder traduzir os sentimentos dos motociclistas e assim ter um relato fiel das circunstâncias?

    MF – Entrevistei todas as pessoas que estão no livro e participei de eventos. Procurei estar presente nas entrevistas para também observar o ambiente e comportamento dos entrevistados. Me inspirei muito no jornalista Hunter S. Thompson, que escreveu o livro-reportagem Hell´s Angels. Ele desenvolveu um estilo de reportagem onde os jornalistas se envolvem na ação e nos acontecimentos para transmitir as emoções, impressões e circunstâncias da maneira mais fiel possível.

    MMB – Essas coberturas foram de forma profissional (jornalista e escritora) e ou você esteve nos eventos como motociclista?

    MF – Fui e me identifiquei como jornalista e apaixonada pelo motociclismo, até porque queria que as pessoas participassem do livro por opção.

    Histórias de Nobre Cavaleiros

    MMB – O que aprendeu nessa convivência com os motoclubes, os eventos, os motogrupos?

    MF – Escrevi o livro com muito carinho e adorei conhecer e entrevistar todas essas pessoas. É uma homenagem ao motociclismo e a quem é motociclista de coração, que respeita os outros, as regras de trânsito e as outras “tribos”. Por isso fiz questão de colocar todos os tipos de motoclistas: desde o motoboy até os de moto esportiva. Fiz muitas amizades. Aprendi que as dificuldades existem, mas um passeio de moto em meio à natureza cura as dores. Aprendi que a amizade e a solidariedade devem ser a regra no motociclismo e na vida.

    MMB – Esse contato mais próximo com os apaixonados pela moto lhe ensinou algo? 

    MF – Ensinou-me que o mundo é 100% caminho. Muitas vezes ficamos em casa acomodados, vendo TV, quando há a natureza e um mundo de possibilidades e aventuras lá fora. Gosto muito de uma frase do escritor Jack Kerouac, no livro On the road, que diz: “Nossa sofrida bagagem estava ali, amontoada mais uma vez na beira da calçada; tínhamos um percurso bem maior pela frente. Mas estava tudo bem, a estrada é a vida”.

    MMB – Muito se fala sobre a irresponsabilidade dos motociclistas em grandes centros urbanos, onde o trânsito é um vilão e onde temos, por vezes, alguns motociclistas mortos. Nesse aspecto,  o que eles relatam sobre essas situações do cotidiano, das dificuldades de relacionamento com os motoristas?

    MF – Falo muito sobre isso no livro. Fiz questão de tratar sobre o respeito às regras de trânsito. Entrevistei especialistas no assunto que ajudaram a elucidar essas questões, como o especialista em pilotagem, prevenção de acidentes e segurança do motociclista, Ulisses Nogueira Salvador, e o piloto de testes, Cassio Narciso. Claro que existem muitos acidentes, mas quem é nobre na estrada procura sempre fazer o certo. Mesmo assim, muitas vezes não tem como controlar o que pode acontecer no trânsito por causa da atitude dos outros. É essencial cada um fazer sua parte. Acho que a mídia exagera na implicância com as motos e posso dizer isso por fazer parte da imprensa. Motos podem ser perigosas se guiadas por pessoas sem experiência e respeito, assim como carros, caminhões, lanchas, etc. Muitos motociclistas que entrevistei dizem que se sentem inseguros nas estradas porque motoristas têm preconceito e má vontade com as duas rodas, mas que não desanimam.

    MMB –  sobre o fascínio por marcas, isso ocorre somente no universo masculino ou as mulheres também já sentem atração por elas?

    MF – O fascínio por marcas é maior entre os homens realmente, mas as mulheres têm começado a entrar no mundo do motociclismo com mais força, apesar de ainda faltar interesse feminino pelo mundo das duas rodas. Muitas mulheres só acompanham os maridos e não são motociclistas de verdade. Por isso fiz questão de colocar no meu livro três mulheres motociclistas de verdade (Coruja, Lica e Mulher Gato), que não se importam em parar na estrada se a moto quebrar, em se sujar de graxa, que não reclamam que o capacete estraga o cabelo…

    MMB –  O que você pode dizer sobre a chamada “irmandade da moto”?

    MF – Existem motoclubes que funcionam com grande organização e possuem hierarquia e regras. Eles são uma comunidade onde os motociclistas podem extravasar sua identidade e conviver com outras pessoas que gostam do mesmo.  Os personagens do livro-reportagem afirmam em seus relatos que se sentem livres, felizes e poderosos quando estão pilotando e que o motociclismo é uma válvula de escape para compromissos do cotidiano, trabalho e dificuldades da vida justamente porque encontram os amigos e sabem que podem contar com eles. A fraternidade é muito grande no motociclismo. Claro que existem exceções, mas percebi muita ajuda entre os motociclistas. É difícil hoje encontrar ajuda nas estradas principalmente porque todos são desconfiados ou só pensam em si mesmos. Já os bons motociclistas, em caso de dúvidas sobre trajetos ou acidentes nas estradas, param e ajudam desconhecidos.

    Ação e reação

    Mulher no volante... MF -: Tem que ser atenta sempre.

    Mulher no Guidon... MF -: Tem que ser atenta e aproveitar a emoção de estar em uma moto sempre. O que vale é aproveitar o momento.

    A preferida… MF -: Kawasaki. Gosto muito da marca desde que vi ela aparecer naquele que se tornou meu filme favorito, Mad Max.

    Meu sonho de consumo… MF -: Kawasaki Vulcan

    Na garupa… MF -: Nossa Senhora das Graças.

    Um recado para os motociclistas... MF -: Tem muita coisa para se conhecer e aproveitar por aí. O importante é não se limitar nem se acomodar.

    Um recado para as motociclistas...MF -: Tenham coragem de ousar.

    Maria Fernanda sobre uma moto…MF -: Logo vou comprar a minha e serão os melhores dias da minha vida.

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